domingo, 5 de junho de 2011

bovariana II


/Imagem de Odilon Redon/


Desacreditas que ele possa ser tão forte e obstinado, tão independente. Por ele, por ele mesmo procuravas - o galã misantropo que te envolve em sua capa, plena noite, tendo em torno completo silêncio.

As folhas nem se movem, os bichos estão mudos. A natureza concentra-se toda em teu corpo, essa potência de espasmo e de luz.

É noite. Os seres concretos já dormem, apascentados. Estão saciados os apetites simples. E a sede infinita, sem nome, pode enfim consumir-se no êxtase.

Dorme, charneca; descansa, manso gado. É hora de a chama imortal inscrever o seu nome.

(São Paulo, agosto de 2011)

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