terça-feira, 26 de junho de 2012

lusofilias

/Imagem de Manuel Figueira/


Puchinho encrencado no porto. O repuxar do mar espumando a vontade da ida.

Um poeta e um sabiá. Separações atlânticas, sincera sede das ilhas.

Puchinho e esse idioma malhado, sangue e fonema fecundos. Essa mistura. Pasárgada vista no céu de um labirinto, por entre grades frias, numa gaiola.

Puchinho a ver navios se revezando entre ficar e partir. O repuxar dos sonhos embalalados pelos batelões da Company Oil.

Rememorar pra fazer viva a encenação dos mortos?

Um chamo que solta afinal voa curto no espaço, ecoa fraco entre os vapores. Quiçá tenha caído no mar e escumado entre as ondas, buscando a outra Sãocente, salgando o sangue e também a saudade. Essa palavra transatlântica.



(São Paulo, outubro de 2011)


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