terça-feira, 8 de novembro de 2016

Maria




é  tempo o que tenho
minha filha
a oferecer

é tempo o que tenho a entregar
no amor

o coração rancoroso 
vendo o riso correr 
lodoso 
velho ricto dos lobos
o tempo em conta-gotas
minha filha
uma lágrima por segundo
no coração da 
Libéria e da Síria 
em todo o mundo
nas construções precárias,
nas lojas, 
nos sacrifícios da casa 
nos sustentáculos do tempo
Na tentativa e no erro, 
minha filha
assim me aferro à vida 
seguindo ao nível do asfalto
dentro de um carro
ou a pé,  
Procurando o mar, você sabe 
em plena avenida

e os olhos vivos dos mortos
a boca suja de sangue 
vivo
dos mortos?

a palavra quer recomeçar, minha filha
a palavra quer engravidar 

de sonhos
e moinhos de vento


o lugar da memória, de mariana falcão

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