sexta-feira, 17 de junho de 2011

bovariana III




/Imagem de Odilon Redon/


Hyppolite, pauvre de Dieu, seguindo em seu andar, claudicante.

Caminhas pra quem?  Pour notre Dieu, Monsieur, seulement pour Lui.

Cocheiro coxo, pulga do quarto estado, o corpo oferecido em Holocausto para a Magna Sciencia.

Pouvre, pó, poeira de Yonville, serves a quem, Hyppolite? À cochia, Senhor. 

O Progresso apregroa os seus signos e Hyppolite claudica, atrasado, tardio, tartamudo: le silence des imbecis.

Serves a quem? À science physique, Docteur, seulement.

Suado, com seu cheiro equíneo, Hyppolite aguarda o milagre, mãos erguidas pro céu: ao Senhor, à Ciência.

Talvez - se tivesse imaginação - pediria pro tempo parar.

(São Paulo, agosto de 2011)

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